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Mercados Emergentes e ESG: Oportunidades Inexploradas

Mercados Emergentes e ESG: Oportunidades Inexploradas

22/12/2025 - 00:47
Maryella Faratro
Mercados Emergentes e ESG: Oportunidades Inexploradas

À medida que o mundo busca equilibrar crescimento econômico com responsabilidade ambiental, mercados emergentes oferecem cenários únicos para investimentos em energia limpa e práticas ESG que ainda não foram totalmente explorados.

Neste artigo, vamos mergulhar em oportunidades promissoras, entender o papel do Brasil e da IFC e identificar tendências globais que moldarão 2025.

Impulsionadores Globais da Transição Energética

O consenso global sobre mudanças climáticas e metas de carbono está forçando governos e empresas a reavaliar suas matrizes energéticas. Países antes dependentes de combustíveis fósseis estão redirecionando bilhões para pesquisa, desenvolvimento e implantação de tecnologias limpas.

O aumento dos custos de capital para projetos intensivos em carbono e a pressão dos investidores institucionais tornaram fundamental a adoção de critérios ESG como condicionante de financiamento.

Além disso, avançadas estruturas regulatórias e incentivos fiscais têm acelerado a modernização de redes elétricas, criando novos mercados de energia descentralizada e armazenamento.

Oportunidades por Região

Em 2025, diferentes áreas geográficas despontam como pontos de atração para capitais buscando alto retorno e impacto socioambiental.

  • Arábia Saudita: com o programa Visão 2030 e megaempreendimentos como NEOM e Red Sea Solar, há espaço para soluções de armazenamento em larga escala e sistemas híbridos para polos industriais.
  • Marrocos: o complexo Noor já é um dos maiores do mundo e o país visa 52% da matriz elétrica a partir de fontes limpas, abrindo portas para integração de solar e armazenamento.
  • Egito: o parque solar de Benban e o impulso em hidrogênio verde criam demanda por baterias avançadas e upgrades na rede elétrica.
  • Emirados Árabes Unidos: com o Mohammed bin Rashid Al Maktoum Solar Park e metas ambiciosas de neutralidade de carbono, há oportunidades em redes inteligentes e contratos corporativos (PPAs).
  • África Subsaariana: Quênia, Gana e Namíbia lideram projetos descentralizados, impulsionados pela demanda crescente por energia confiável e acessível em regiões remotas.

Cada mercado apresenta desafios próprios, desde regulação até infraestrutura. Investidores que conseguirem navegar nesses ambientes encontrarão retornos diferenciados e impacto social significativo.

Brasil como Protagonista Sustentável

O Brasil se destaca por sua matriz energética limpa (88% vs. média global de 29%) e extensões territoriais que favorecem projetos de energia solar, eólica e de biomassa.

Com a interconexão de redes e o fortalecimento de hubs de dados, o país atrai empresas de tecnologia que valorizam acesso à energia limpa em decisões de investimento.

  • Eficiência energética em indústrias e edificações comerciais.
  • Armazenamento com baterias para estabilização de sistema.
  • Infraestrutura climática e projetos de carbono regulado.

Além disso, sediar eventos como o PRI in Person 2025 e a COP 30 coloca o Brasil em posição estratégica para formular mecanismos financeiros inovadores em colaboração com organismos multilaterais.

Estrutura ESG e o Papel da IFC

A IFC e sua agência irmã MIGA influenciam mais de US$ 4,5 trilhões em fluxos financeiros em mercados emergentes, servindo de referência para investidores globais.

A atualização da estrutura de sustentabilidade da IFC, em fase de diálogo entre 2025 e o primeiro trimestre de 2026, receberá contribuições sobre risco climático, direitos humanos e obrigações de intermediários financeiros.

O novo framework, com divulgação prevista para 2028, trará direitos indígenas e mecanismos de reclamação mais robustos e exigirá divulgações financeiras relacionadas ao clima.

  • Mudanças climáticas e transição justa.
  • Riscos emergentes de ESG e natureza.
  • Riscos na cadeia de abastecimento.

Tendências ESG para 2025

Empresas líderes em descarbonização mostraram retorno médio de 23% entre 2020 e 2023, comprovando que sustentabilidade e lucratividade podem andar de mãos dadas.

Investidores devem buscar cada vez mais ativos com certificações ESG, priorizando setores que façam uso intensivo de tecnologia limpa e modelos de governança transparentes.

Ademais, a digitalização de métricas ESG e a exigência de relatórios padronizados ganharão força, facilitando a comparação de desempenhos e riscos.

Para aproveitar essas oportunidades, é essencial desenvolver parcerias locais, entender nuances regulatórias e adotar práticas que integrem propósito e resultado financeiro.

Somente assim poderemos explorar todo o potencial inexplorado dos mercados emergentes, promovendo crescimento econômico inclusivo e um futuro mais sustentável para todos.

Maryella Faratro

Sobre o Autor: Maryella Faratro

Maryella Faratro